terça-feira, 27 de maio de 2008

Uma nova.


Por dentro do quarto. Que quarto? Uma externidade inconciliável ao agarro ao travesseiro
que se encharca; tudo que corre em meio fluxo de visões são cores mórbidas; pretas e brancas, tristes e infelizes. São cores fantasiadas por mim para mim. O travesseiro se encolhe junto aos meus olhos espremidos pela luz do sol; da janela quadrada formando um quadrado de luz, de cor, de sol; da abertura da janela que me separa de cores harmônicas; vermelhos, amarelos, pontos pretos e incolor; de semblante expandido, chamando-me a acordar, a andar. De nada me serviu, trancada, tudo me pareceu tão banal. Do quadrado apenas curiosidade, nada efusivo. Sem grande esforço, pego o livro, entre sombras de pernas e braços afagados em cobertores quentes; um tanto repugnante esse calor; entre misturas de cores frias e quentes; sensações geladas e morgadas. O mundo a fora de nada me serve de palpite, de nada. Nem nada, nem vazio, nem cores, nem sensações, nem sentido, nem tudo.
Sinto tudo trancado; mas há tempos não verifico as paredes surradas.
Silêncio, luz, sombras, vento. Folhas passam com mais eficiência devido ao vento que leva meu corpo mais junto da parede fria. Dentro do quarto..
Por fora do quarto. Que quarto? Vejo alguns ali, outros aqui, mas nenhum específico.São todos quartos, rodeados de luzes solares que batem e refletem, e retornam ao meu rosto suado. Barulho, murmúrios, cores ( muitas cores), frias e quentes numa mistura; o vento aprazível remexe meus cabelos, secando gotas da testa molhada, me fazem lembrar de danças de árvores; uma sensação efêmera, então retorno e me tome de melancolia observando vendedor de picolé/sorvete, tomado de um desejo transparente.Verifico bolso , retiro moedas velhas e enferrujadas.Aproveitando o vento lá fora, observando janelas quadradas, do lado de fora; onde picolés amenizaram-me na dor. Sem interrupções, pensamentos distante anestesiaram qualquer piscada de atenção. Nem aqui. Nem ali.

Um comentário:

T disse...

Que lindo meu amor ! *-*