segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Saudade tem distância?

Sem você
Sem quilômetros quadrados
Sem barco
Sem trêm
Sem envelope

Vôo atrasado
Esqueço o recado
Estou sem baton, espelho quebrado

Das mil palavras doces
mil e quinhentas estão amargas
- Foi o café da estação
Desculpas regadas

Sem buquê
Janela fechada...
sem primavera

Em cima do papel
em cima da cabeceira
seu endereço esquecido
Na bolsa, viagem de volta

Sem distância, sem trêm, sem café, sem flor
Um bolso, um masso de cigarro, um amor desbrotado
Solidão de resto
Em minha espera, uma escada

Com cheiro de cravo, benzinho,
amassada essa minha saudade embrulhada.

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