quarta-feira, 27 de maio de 2009

Férias do amor


Eu não fazia ideia de que data era aquela. Só sei que levantei antes mesmo do despertador me chamar. Era sol, as cortinas não conseguiam disfarçar.
Seria lógico acertar que eu não recusei um banho de água fria.
Passei a andar, deixando a sorte ou o azar decidir entre o direito e esquerdo, ônibus ou bicicleta.
A cidade está um aglomerado de pessoas, uma moça me entrega um panfleto. Tem uma peça em cartaz. O dado dá que não.
Eu prossigo, me esbarrando em umas, me esfriando de outras.
Numa dessas rádios de rua, sabe, toca uma música desconhecida. Ela diz "Roda mundo, roda gigante/ Roda moinho, roda pião" e é a única frase que eu me lembro dela.
Tem um senhor de idade dormindo no banco; percebo pois quase me esbarro em seu pé.
O locutor da voz rouca avisa do desembargue de algum trêm e afinal me dou conta que estou na estação do fim de linha da rua. Sem saber de hora alguma. Se o despertador chamou ou quebrou, eu não sei. Minha prepotência me permite imaginar vários recados em minha caixa postal. A moça do olhar estranho me pega rindo sozinha.
Desce pela escada rolante um rapaz alto, barba mal feita, fala com o balconista...Sorriso largo, bonito. Finjo analisar preço de alguma coisa num desses outdoors, que 30 segundos depois percebo que se tratava de roupas masculinas.
- Presente do dia dos namorados?
- Ham? Ah, não, estava só dando uma olhada. (Rio sem jeito, felizmente, pois ele ri de volta).
- Está de carro?
- Não, resolvi andar à pé. Quero dizer, a sorte- rio -quem decidiu isso.
Ele sorri, aposto que sem entender
- Estou indo para o norte, quer vir?
- Deixa para a próxima, o dado diz que leste.
- Certo. Adeus então( Seu riso sem graça. Eu acho lindo).

Sinto vontade de andar de guarda-chuva nesse sol, dançando.

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