quinta-feira, 3 de junho de 2010

Inventada

Dentre todas as razões da vida, Simone tinha inúmeras para ir embora dali, acabar de vez, morrer, mas poucas que incentivassem o contrário. Sua dor ainda era pior porque, não bastaria uma razão, seria necessário mais que isso-bem mais- para decidir não findar. Não são motivos fúteis, o que incomodava Simone não tinha nada de fútil: o céu anda diferente. Ela acorda, todos os dias, olhos ligeiros pela janela, o céu continua o mesmo, sem brilho. Não há, simplesmente. Simone não se conforma, pois na escola ninguém repara. As pessoas estão sorrindo, como pode isso? Estando o céu daquela maneira...não há porque sorrir. Simone sente raiva dessas pessoas, porque talvez elas não precisem de motivos para sorrir, por isso são felizes. Simone tenta, mas seu sorriso sai enferrujado, feio, como o céu. Então desiste.
Quando a noite cair, lembre-se, os olhos de Simone certamente estarão brilhando. De esperança. A lua, o escuro, as estrelas, inibem aquela feiura celeste, traz paz ao coração, porque, talvez, o céu volte a ser como antes, como sempre foi e deveria sempre ser. Mas, infelizmente, não é mais. E não dá mais. Simone, com sua pureza, decide terminar sua vida neste lugar, começando a ter dúvida se iria ou não para o céu, sem saber que na manhã seguinte, enfim, o inverno teria terminado.

3 comentários:

Lorena Carvalho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lorena Carvalho disse...

Belíssimo texto, parabéns! ;)

Raisa Moreno disse...

Trechos desse texto lembraram uma publicação no meu blog.
Thai, eu enxerguei a Simone em você.