terça-feira, 29 de junho de 2010

"Mas eu imagino..."

Da janela de sua casa
Só se via outra casa
Separada por um corredor estreito.
Antes passava um aqui também, agora não mais.
Deve ter se empreitado por entre essas matas
que não se é mais cortada,
o homem que em minha janela passava.
Deve ter achado que o corredor
era estreito demais para seu sofrimento.
Era um homem que, por dor, não gritava.
Mas eu, por dor, vendo este homem, chorava.
Quando ele passava, carregava com ele toda a minha atenção.
E eu o acompanhava, mesmo sem o ver, mas imaginando-o.
Talvez ele agora se sinta no direito de chorar,
já que não estou mais ao alcance de lhe observar.
Ou talvez não. Como não estou vendo-o fisicamente, não posso afirmar.
Mas afirmo, sem pesar de dúvidas, o que consigo
carrega este homem nas costas, nos olhos, e quiçá na alma:
Sofrimento a ele, nostalgia a mim.
No fundo não fazem lá muita diferença.

Lorena e Thaís - Carvalho.

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